Economia circular na produção de fertilizante orgânico

Adubos orgânicos utilizam resíduos da agroindústria e evitam descarte em lixões


Além de trazer diversos benefícios na manutenção dos solos, o fertilizante orgânico também é ótimo aliado da natureza, uma vez que promove a circularidade no seu processo produtivo.

Primordialmente, isso acontece porque a criação dos fertilizantes orgânicos aproveita resíduos gerados, sobretudo, pela indústria agropecuária, o que inclui itens de origem vegetal e animal.


“Desde os matadouros à indústria do couro, este setor gera resíduos que não podem simplesmente serem descartados na natureza. O sistema de tratamento de efluentes, por exemplo, gera um lodo, que precisa de uma destinação final correta. Muitas vezes, este material é levado para aterro sanitários, uma vez que não tem mais utilização e não pode ser descartado na natureza. No entanto, com o surgimento das empresas de compostagem, estes resíduos passaram a ter uma nova destinação e são aproveitados para a criação de fertilizantes, por exemplo”, explica Cesar de Conti Gutierrez, coordenador comercial da Organosolví.

Principais dúvidas sobre fertilizante orgânico

1. Como explicar a economia circular?

Sobretudo, a economia circular é um conceito que prioriza a diminuição, o reuso, a recuperação e reciclagem de materiais e energia. Em primeiro lugar, a ideia é diminuir o uso de recursos desnecessários, para reduzir a geração de resíduos. A economia circular também prega a reutilização e transformação dos materiais para evitar o descarte ao máximo.


2. Qual é o processo circular de produção e consumo segundo a economia circular para os materiais biológicos?

No grupo Solví, estes materiais podem ser utilizados de diferentes formas. Primeiramente, os materiais orgânicos podem ser encaminhados para a compostagem e, em seguida, serem utilizados como fertilizantes, que é a atividade desenvolvida pela Organosolví. Da mesma forma, outra possibilidade é destiná-lo para as unidades de valorização sustentável, onde a decomposição destes materiais gera o biometano que pode ser utilizado em termelétricas, como é o caso dos aterros com geração de energia.


3. Como promover a economia circular?

Essencialmente, há diversas formas de promover a economia circular. Primeiramente, é evitando a produção de lixo desnecessário. Uma das formas de fazer isso é através do consumo consciente. Além disso, as empresas também podem pensar em soluções para seus produtos que não gerem tanto lixo, como é o caso de embalagens reutilizáveis, por exemplo. Outra forma de promover a circularidade é por meio do aproveitamento máximo de resíduos – isto é, transformar materiais que já foram descartados (sejam eles recicláveis ou orgânicos) e dar uma outra destinação a eles. Este processo é chamado de valorização de resíduos, que podem ser destinados para a reciclagem, usados para gerar energia ou até mesmo para o coprocessamento (uso de resíduos e passivos ambientais em fornos de cimentos).


4. Quais são os objetivos da economia circular?

Em suma, a economia circular tem como objetivo diminuir a produção de resíduos e aproveitá-los em outras cadeias produtivas.


Processo de produção do fertilizante orgânico

No processo de produção dos fertilizantes orgânicos, esses resíduos da agroindústria são misturados à casca de árvore, podas, bagaço de cana, torta de filtro (sistema de filtragem da cana de açúcar), que possuem alto nível de carbono.

“Nessa combinação de leiras é que se forma o sistema de compostagem. Ao invés de apodrecer, a degradação dessa matéria prima vai gerando alto nível de nitrogênio, fósforo e potássio, que são de grande valor para fertilizantes”, aponta Gutierrez.

Sobretudo, esse processo leva de 90 a 120 dias, onde passa por alta temperatura e os micro-organismos vão agindo e decompondo essa matéria orgânica e vão transformando isso num produto estável, que pode ser utilizado como fertilizante, de acordo com Gutierrez.

“Apesar de ser um processo longo, ele gera um produto de alto valor para agricultura, já que combina a matéria orgânica com nitrogênio, fósforo e potássio, que são utilizados como fertilizantes na maioria das culturas”, justifica Gutierrez.

Economia circular

Gutierrez ressalta que muitos destes itens que antes eram descartados em aterros sanitários, hoje podem ser aproveitados para a produção de fertilizantes.




“Se tomarmos como exemplo um frigorífico, há partes dos animais que não são aproveitadas, como é o caso da derme bovina, vísceras e sangue. Anteriormente, este material ia para aterros. Hoje, ele vai para o sistema de compostagem. Acima de tudo, a principal vantagem para a indústria é que há um rompimento da responsabilidade deles com esse material na natureza. É diferente de entregar isso para um aterro, em que a empresa será responsável por aquele rejeito durante 20 a 30 anos. Já no processo de compostagem, ele entrega um produto que será transformado, com uma destinação final e isento de responsabilidade. Portanto, quando a indústria pode mandar isso para a compostagem, ela procura fazer isso de todas as formas”, destaca Gutierrez.

De acordo com Ariane Meyer, head de Inovação Aberta e Sustentabilidade da Smartie do Grupo SOLVÍ, a empresa tenta valorizar e aproveitar o máximo possível dos resíduos, fazendo com que o mínimo possível seja disposto em aterros. E, mesmo aquilo é encaminhado para unidades de valorização (ou ecoparques), sua decomposição acaba sendo utilizada para a produção energética em termelétricas.


Uso de fertilizantes orgânicos x esterco

Primordialmente, uma das vantagens do uso de fertilizantes orgânicos em detrimento do esterco é o fato de que esse material, quando é colocado no solo ele já estável. “Então, ele está já passa a fornecer os nutrientes necessários para o solo. No entanto, quando você usa o esterco em natura, esse produto ainda está em processo de decomposição. Com isso, logo que ele é colocado, ele não está fornecendo nutrientes para o solo – ao contrário, ele acaba consumindo nitrogênio do solo para terminar seu processo”, expõe Gutierrez.


Produção do adubo químico x orgânico

Acima de tudo, vale lembrar que a produção do adubo químico tem um custo energético bem mais alto que o orgânico.

“A produção químico tem alto consumo energético e passa por ataque com ácidos. Quando comparado com o processo natural de tirar do solo, processar e devolver pra ele. Se você planta milho, por exemplo, depois da colheita, é possível devolver pro solo em um processo de compostagem. Isto é, tirando a espiga de milho que foi extraída, a parte verde volta para o solo e pode fornecer nitrogênio, fósforo e potássio – talvez em uma proporção um pouco menor do que saiu, mas ainda assim retornar. Agora o químico tem um processo fabril com gastos energéticos e custos altos, porém o produto final é altamente concentrado. É com esse apelo que o químico sempre existiu”, afirma Gutierrez.

Ainda, outra grande vantagem do adubo orgânico é que ele está melhorando a estrutura do solo, que fica aerado e absorve melhor a água. Por outro lado, no caso do químico, aquilo que você colocar e a planta não absorver será perdido por lixiviação, só que ele traz uma grande quantidade de nutrientes de forma rápida.

“Para quem é dono da terra, é vantagem apostar no orgânico, uma vez que ele ajuda a manter o solo saudável ao longo do tempo. Agora para quem tem uma única cultura em uma terra arrendada, o mais comum é o usar o químico”, expõe Gutierrez.