Fertilizantes orgânicos e organominerais: como funcionam?

Quer saber como funcionam os fertilizantes orgânicos e organominerais? Veja as vantagens no seu uso, as aplicações e razões para utilizá-los.



Entre julho e agosto de 2021, houve um aumento radical nos preços do nitrogênio, fósforo e do potássio, devido a problemas de fornecimento por parte da Rússia. Como estes são os principais componentes dos adubos químicos, isso impactou fortemente os valores do produto, o que fez com que a procura por fertilizantes orgânicos e organominerais aumentasse bastante. Com a guerra entre Rússia e Ucrânia, a situação se agravou.


“Em primeiro lugar, essa subida de preços trouxe um boom na procura por adubos orgânicos e organominerais. Alguns clientes já tinham a consciência sobre sustentabilidade e economia circular, enquanto outros acabaram buscando este recurso pela questão do valor”, analisa Cesar de Conti Gutierrez, coordenador comercial da Organosolví.

Mas, afinal, como funcionam estes adubos? Como podem ser utilizados? Quais as vantagens de usar fertilizantes orgânicos e organominerais em uma plantação? Confira abaixo as respostas para todos estes questionamentos.


Perguntas mais comuns sobre fertilizantes orgânicos e organominerais


Quais são fertilizantes orgânicos?

Primordialmente, os fertilizantes orgânicos são feitos a partir de matéria-prima vegetal e animal. Por fim, são obtidos a partir da compostagem.

O que são organominerais?

Em primeiro lugar, os fertilizantes organominerais são adubos orgânicos enriquecidos com nutrientes minerais. Estes são fabricados industrialmente e acrescentados à matéria-prima orgânica.

Qual a diferença entre adubo orgânico e organomineral?

Acima de tudo, a principal diferença é que o adubo organomineral conta com a adição de minerais, que trazem macronutrientes para o solo.

Quais os principais tipos de fertilizantes orgânicos? Explique suas funções.

Na Organosolví, há o Organo+ Farelado e o Organo+ Granulado. Ambos possuem as mesmas características, porém o granulado é utilizado para adubação via plantadeiras juntamente com a semeadura em culturas de plantio mecanizado em linhas.


Fertilizantes orgânicos

Em primeiro lugar, os fertilizantes orgânicos são feitos a partir de resíduos animais e vegetais. “Esta matéria-prima é proveniente tanto da agroindústria quanto de podas de árvore e cascas. Sobretudo, é composta de tipo de resíduo vegetal e animal que você pode aproveitar”, revela Gutierrez.


Como os fertilizantes orgânicos são produzidos?


De acordo com Gutierrez, o adubo orgânico é feito a partir de frutas, plantas e de restos animais, em um sistema de compostagem.


“No processo da indústria, que transforma estes resíduos em fertilizante orgânico, esta matéria-prima é colocada em leiras (montes de formato triangular, no qual produto vai sendo batido) para um sistema de compostagem. A partir daí, esses produtos são misturados em uma proporção pré-determinada. Uma parte de vegetal, animal, água, leite, resíduos de indústria, etc. Depois, é feito um blend, que é colocado em leira”, explica.

Trata-se de um sistema aeróbico, isto é, que precisa de oxigênio.

“Acima de tudo, essa leira, num período de 4 meses (120 dias), é revolvida várias vezes. E o processo é natural, uma vez que bactérias e micro-organismos são os responsáveis pelo processo de compostagem. Ao revolver a leira, ela vai sendo oxigenada. E é justamente isso que faz a compostagem – ou seja, é um sistema de transformação física, que vai se dissolvendo, e os fungos e bactérias vão fazendo um processo que é conhecido como compostagem. Se não houvesse esse processo de oxigenação, este material apodreceria”, comenta Gutierrez.


Fertilizantes organominerais

O adubo organomineral é produzido a partir da mistura deste fertilizante orgânico com elementos químicos, que correspondem à parte mineral.



“Você determina uma mistura desse produto com substâncias como ureia, cloreto de potássio e DAP (Diammonium phosphate). É importante que os minerais só sejam adicionados ao final do processo”, aponta Gutierrez.

Além disso, todo produto ligado a fertilizante é regido uma regra: o quanto ele vai ter de concentração de três nutrientes, que são Nitrogênio, Fósforo e Potássio – também chamado de NPK.

“Na verdade, toda a planta precisa de macro e micronutrientes. O NPK é consumido num volume maior, então ele é considerado macro por isso. Um orgânico geralmente tem uma relação de NPK muito baixa (1 de nitrogênio – 2 de fósforo – 1 de potássio). É um padrão. Agora, no organomineral, esta proporção pode mudar, já que ela é enriquecida. Pode ser 5-10-10, 5-15-15, 4-14-8 . São formulações que você consegue fazer misturando o químico com o orgânico. Consequentemente, você passa a ter um NPK maior. Às vezes, o agricultor quer o químico, mas sem abrir mão da porção orgânica. Por isso se criou o organomineral”, pontua Gutierrez.

Fertilizantes orgânicos e organominerais: por que usar?

Todos eles são utilizados em várias culturas.

“O fertilizante orgânico ajuda a enriquecer a matéria orgânica do solo. Quando ela é rica, o produto tem essa aparência meio de barro. No entanto, quando o solo é muito pobre, parece quase uma areia de praia. Esse agricultor cujo solo é muito arenoso – bem característico em algumas regiões do país, como o Nordeste –, precisa de matéria orgânica no solo para produzir um pouco melhor”, justifica Gutierrez.

Mesmo em ocasiões em que o solo não é tão arenoso, eles podem ser utilizados.

“Ao plantar milho, por exemplo, o agricultor extrai a planta inteira do solo – a espiga e a planta. Então, tudo o que havia de matéria orgânica não retorna ao solo. Por outro lado, numa floresta, há um sistema diferente. Quando a planta morre, ela volta para o solo e tudo que ela extraiu é devolvido. Portanto, é mais equilibrado. O que você tenta fazer com um adubo orgânico e o organomineral é que eles voltem de alguma forma a repor matéria orgânica no solo. Por fim, isso melhora o equilíbrio do solo e a produtividade.”, relata Gutierrez.

Sobretudo, a grande diferença para o adubo químico é que este traz resultados mais rápidos, mas empobrece o solo com o tempo. “Ao utilizar um fertilizante químico com NPK 10-10-10, por exemplo, você repõe em uma única aplicação um volume altíssimo de nutrientes, mas em compensação você não está devolvendo nada de matéria orgânica ao solo. Entretanto, com o passar do tempo, ele vai esgotando o solo”, argumenta Gutierrez.

Os adubos químicos são muito usados quando um cliente trabalha com uma cultura de arrendamento.

“Ele vai arrenda a propriedade por dois anos e depois vai embora. Ele não está preocupado se está esgotando o solo. É o caso do tomate, por exemplo: quem opta por este item não pode repetir o plantio muitos anos na mesma área, uma vez que as bactérias e fungos acabam se estabelecendo muito no solo. Agora, o agricultor que é dono da propriedade e planta laranja, café e açúcar por muitos anos, não vai querer esgotar o solo porque vai trazer prejuízos para ele mesmo – então ele precisa incluir orgânicos”, expõe Gutierrez.

Entretanto, com a subida de preço dos adubos químicos, muitos estão em busca dos fertilizantes orgânicos ou organominerais.

“Alguns já estão cientes sobre questão da sustentabilidade e economia circular, enquanto outros foram pela questão do preço”, avalia Gutierrez.

Fertilizantes orgânicos e organominerais: vantagens


Por fim, Gutierrez cita algumas vantagens do uso de fertilizantes orgânicos e organominerais:

  • Reposição de matéria orgânica no solo;

  • Fornece Macro nutrientes primários (N-P-K) e secundários (Ca-Mg-S) e micronutrientes - Elementos essenciais ao crescimento das plantas;

  • Aumento de CTC (Capacidade de troca Catiônica), contribuindo na redução de perdas por lixiviação de Nitrogênio (N) e Potássio (K). “Ele aumenta as cargas negativas do solo, o que permite reter nutrientes”, destaca Gutierrez.

  • Aumento de retenção de água no solo (CRA - Capacidade de Retenção de Água). “Um solo arenoso não retém água. Mas com o adubo orgânico, o solo fica úmido”, afirma.

  • Substâncias Húmicas, que influenciam diretamente na estrutura física, química e microbiológica do solo, assim como o metabolismo e crescimento das plantas. “Elas não estão presentes em nenhum adubo mineral, só no orgânico”, conclui Gutierrez;